quarta-feira, outubro 12, 2005

Um génio do jornalismo

O meu mundo é o do futebol, é nele que trabalho e admito que gosto do que faço, mas também sou capaz de confessar que por vezes tenho de levar com cromos mais antigos e deteriorados do que o próprio Chalana (ok, admito que exagerei na comparação!). Vésperas de um clássico com o Benfica, oportunidade de ouro para falar com o senhor/deus/papa/e-mais-do-que-tudo Pinto da Costa sobre o (15º) jogo do ano, e uma ocasião única para colocar algumas questões consideradas por muitos essenciais para o futuro do país, sobretudo depois de uma eleição autárquica marcada pela discussão sobre a-minha-altura-é-maior-do-que-a-tua. Após um aquecimento rápido de três perguntas inocentes - tipo, está um lindo dia de chuva, não? -, chegou finalmente o timing certo para lançar o tema do momento: o caceteiro Petit deve ou não jogar no Dragão? Pinto da Costa lá começou por afirmar que não respondia a essa questão, ávido, no entanto, pela repetição da pergunta umas quatro (ou cinco) vezes de forma a vomitar o discurso ensaiado a preceito durante o pequeno-almoço. Mas não. Quando alguém se preparava para a segunda de quatro (ou cinco) tentativas, uma voz escondida por um microfone do tempo da segunda Guerra Mundial atirou com a pergunta fundamental e que certamente faria esgotar todos os jornais desportivos no dia seguinte: “Mudando então de assunto, senhor presidente, para quando uma equipa de futebol de salão no FC Porto?”…

quarta-feira, outubro 05, 2005

O grande Camelo!

Um dia, há já alguns anos atrás, um dos mais conceituados fotojornalistas do Brasil foi destacado para realizar uma reportagem na “mal-amada” Argentina. Aterrou em Buenos Aires e dirigiu-se, juntamente com o jornalista-redactor que o acompanhou, para um dos muitos hotéis que invadem a cidade mais europeia da América do Sul. Quando chegou ao seu novo e temporário aposento teve de preencher aqueles obrigatórios e enfadonhos documentos com todos os dados pessoais (eu costumo sempre mentir, sobretudo na parte sobre o 'sexo'; que mania de quererem saber tudo sobre a minha vida!) Indignado, o tal fotojornalista – que ainda hoje trabalha na Globo -, não parava de barafustar… “Que se passa?”, perguntou-lhe então o seu companheiro de trabalho. “Não percebo porque é que estes caras querem saber o meu 'apelido'. Deve ser para me xingar! Estes argentinos são mesmo veados… Por que raio querem saber que os meus amigos me tratam por camelo??!?!”. O jornalista preferiu manter-se momentaneamente em silêncio com medo de não conseguir controlar a sua enorme vontade de soltar uma gargalhada. A indignação do tal fotografo mantinha-se, no entanto, num ritmo consideravelmente elevado, de tal forma que o jornalista voltou a questioná-lo, embora com medo da resposta que pudesse surgir... “Que foi agora?”. “Que foi?!?!? Agora querem saber a que horas 'fecha'”. “A sério? E o que escreveste?”, perguntou-lhe quase à beira de um ataque cardíaco devido ao arriscado controlar de emoções. “A verdade. Que o jornal fecha às 23h30 quando não há atrasos”. É caso para dizer: que grande Camelo!